Terapias

Magnetoterapia: em que consiste e os benefícios

Com o progresso científico e desenvolvimento tecnológico, a medicina física oferece novas opções de tratamento, podendo ser utilizada na reabilitação e na suplementação ou substituição de medicação (Zwolińska et al., 2016).
As pesquisas científicas revelam que o interesse nas terapias físicas eletromagnéticas teve um aumento acentuado nos últimos anos.

Tal deve-se ao fato da magnetoterapia ser um método não invasivo, não causa efeito térmico no tecido (praticamente não é sentido pelo corpo humano), sem efeitos secundários, seguro, economicamente viável e de fácil aplicação. Geralmente são colocados elétrodos opostos diretamente no sítio da lesão, numa zona de

A magnetoterapia não é aconselhada na gravidez

dor e inflamação e em variadas situações clínicas. Excecionalmente, pessoas hipersensíveis poderão apresentar vermelhidão, sentir formigamento, vibração e calor. A presença de implantes metálicos não afeta a capacidade terapêutica da exposição eletromagnética.

Esta terapia poderá evitar procedimentos cirúrgicos, que são mais invasivos, requerem anestesia e de elevado
custo médico. A magnetoterapia pode ser utilizada pela maioria dos indivíduos, com exceção de doentes oncológicos, grávidas e portadores de pacemaker (Markov, 2009; Shupak, 2003; Zwolińska et al., 2016).

Magnetismo: força da natureza

A energia magnética está em todo o lado. De acordo com Heisenberg a energia magnética é necessária à vida dos organismos. O planeta Terra tem um campo magnético com intensidade de 30 a 70 µT, sendo um estimulador natural dos processos fisiológicos nos organismos vivos. Observações de pessoas que permaneceram no espaço por um longo período de tempo indicam que a falta de um campo magnético natural causa insónia, cansaço, depressão e aumenta o risco de osteoporose (Zwolińska et al., 2016).

Toda a matéria viva é feita de eletrões, átomos, iões e moléculas. No homem, o coração e o cérebro possuem naturalmente campos eletromagnéticos que podem ser medidos por eletrocardiograma e encefalograma, respetivamente. Os campos eletromagnéticos das células podem ser afetados por estimulação externa, resultando
na alteração das interações entre ligandos e recetores das membranas (Ross e Harrison, 2013).

A radiação eletromagnética é o fluxo de eletricidade (movimento de eletrões) e o campo magnético que é gerado pelo movimento de eletrões. Iões como o cálcio, potássio, sódio, cloro movem-se para o elétrodo que são mais fortemente atraídos. O movimento de iões na membrana celular e organelos tem importantes funções na fisiologia das células, como a propagação de sinais entre células nervosas, ativação de genes, contração muscular, produção de energia, etc. (Wade, 2013). 

Por muitos anos pensava-se que a exposição a campos eletromagnéticos poderia ser nociva ao organismo, mas o conhecimento atual revela que a quantidade de energia (força do campo ou amplitude) e frequência do campo é que determina se a radiação é perigosa, benigna ou terapêutica. A radiação eletromagnética utilizada para fins terapêuticos é não ionizante, sendo frequentemente utilizado um campo eletromagnético pulsado de baixa intensidade (com frequências de 6 a 500Hz), devido aos seus efeitos bioativos no corpo humano (Ross e Harrison, 2013; Shupak, 2003).

A estimulação eletromagnética é efetiva no tratamento de doenças anti-inflamatórias, lesões musculoesqueléticas, neuropatias, entre outras desordens. Desde 1982 a FDA (Food and Drug Administration) aprova o uso de campos
eletromagnéticos pulsados para tratamento clínico de problemas resistentes do sistema muscoesquelético, como fraturas ósseas, lesões articulares e pseudoartroses congénitas (Shupak, 2003).

Embora os mecanismos moleculares por detrás do potencial terapêutico da radiação eletromagnética não estejam completamente esclarecidos, as pesquisas científicas sugerem que estejam envolvidos vários caminhos moleculares.
O campo magnético causa o movimento de iões dentro da célula, o que resulta na hiperpolarização da membrana celular. Desta forma, o metabolismo é acelerado, estimulando o aumento do uso de oxigénio pelas células e a produção de energia. Os processos de proliferação e apoptose são potenciados.

O campo magnético tem um efeito benéfico nos mecanismos de regeneração de tecidos, estimula a atividade imune e humoral, aumenta a produção hormonal e reações enzimáticas e atua ainda nos tecidos ósseo e conjuntivo (Zwolińska et al., 2016).

Problemas ósseos podem ser tratados com magnetoterapia

Os estudos in vivo mostram efeitos positivos em condições como: artrite reumatóide, osteoartrite do joelho, osteoartrite da cervical, osteoartrite das mãos, tendinite, fibromialgia, artrose, pseudoartrose, pseudoartrose congénita, fraturas, desordens do quadril, osteoporose, ciática, dor de costas, síndrome do canal cárpico, esclerose múltipla, neuropatias, úlceras venosas, edemas, feridas, etc.

Na maioria das situações é verificada uma redução significativa da dor, desinflamação, aumento de mobilidade e
regeneração. Além disso foram observadas melhorias em casos de ansiedade e insónia, contribuindo para a saúde e bem-estar no geral (Ganesa et al., 2009; Shupak, 2003; Wade, 2013).

Os estudos indicam que o campo eletromagnético pulsado tem o potencial de regenerar tecidos danificados através da estimulação da osteogénese e síntese dos componentes da matriz. Adicionalmente, os estudos in vitro demonstram conclusivamente aumento de diferentes tipos de células: células mesenquimatosas, fibroblastos, condrócitos, osteoblastos, células endoteliais, resultando no aumento da produção de colagénio, proteoglicanos e glicoproteínas (Ganesa et al., 2009; Shupak, 2003; Wade, 2013).

As evidências clínicas confirmam o potencial anti-inflamatório, analgésico, bacteriostático, angiogénico, vasodilatador e antiedematoso da terapia eletromagnética (Ross e Harrison, 2013; Zwolińska et al., 2016).

A modulação externa das células pela aplicação de um campo magnético pode aumentar o metabolismo e a mitose das células, diminuindo o tempo de cura dos vários tecidos corporais, incluindo o tecido ósseo (Wade, 2013).
Os estudos imunológicos sugerem a magnetoterapia como um método promissor no tratamento e melhoria de sintomas de doenças inflamatórias, incluindo as de carater autoimune. A inflamação é uma resposta mediada por sinais à invasão de tecidos por agentes patogénicos ou toxinas, lesões ou stress físico.

A regeneração de tecidos e órgãos é dependente da capacidade das células manterem a inflamação sobre controlo para que a resposta inflamatória aguda não se torne crónica. Erros no processamento da informação celular são responsáveis por doenças inflamatórias, autoimunes e doenças como o cancro, diabetes e Alzheimer. As pesquisas mostram que certos sinais inflamatórios entre células causam dor patológica persistente e ativação de neurónios nociceptores.

Menos inflamação e melhorias na mobilidade articular são alguns dos efeitos da magnetoterapia

Uma resposta inflamatória estável depende da libertação de quantidades adequadas de células inflamatórias e citocinas. Os medicamentos anti-inflamatórios causam uma série de efeitos secundários, adição e a longo termo podem não ser bem tolerados pelo corpo. Em vários estudos clínicos sujeitos à aplicação de campos magnéticos
houve a modulação da resposta imunitária, com a diminuição de citocinas pro-infamatórias e da dor, permitindo a redução da farmacoterapia.

É inequívoco que as doenças crónicas resultam da falta de homeostase entre radicais livres e antioxidantes. Adicionalmente foi observada a capacidade dos campos magnéticos para restaurar o equilíbrio entre radicais livres e antioxidantes, e consequentemente, podem ser um adjuvante no tratamento de várias doenças (Ross e Harrison, 2013; Wade, 2013, Zwolińska et al., 2016).

Os campos magnéticos aumentam o fluxo sanguíneo, a produção de colagénio, permitem a neovascularização de tecidos, sendo eficazes na redução do tamanho de úlceras venosas e dor associada (Shupak, 2003).

Ana Maria Vieira de Oliveira
Bióloga

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