Saúde

Nigella sativa: o potencial terapêutico explicado pela investigação

O óleo de Cominho Negro é obtido por prensagem a frio de sementes da planta Nigella sativa, nativa do sudoeste asiático, norte de África e Europa meridional.  A Nigella sativa tem sido utilizada durante séculos na alimentação e como um remédio natural com diversos fins terapêuticos em sistemas ancestrais como Ayurveda, Unani ou Medicina Tradicional Chinesa.

Foram identificados e isolados inúmeros componentes das sementes de Cominho Negro. Do que se conhece, a maioria das propriedades terapêuticas da planta deve-se à presença de timoquinona, o principal componente bioativo do óleo.

Os estudos farmacológicos revelam que os níveis de enzimas hepáticas não são alterados com a ingestão do óleo, extratos ou sementes, não se verificando efeitos tóxicos e garantindo a segurança na sua utilização (Al-Ali et al., 2008; Khader et al., 2009; Zaoui et al., 2002).

foto U. Leone (Pixabay)

Benefícios da Nigella sativa

Os méritos da Nigella sativa (cominho negro) são comprovados por vários estudos científicos realizados nas últimas décadas.

  • A Nigella sativa inibe o crescimento de Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermis e Helicobacter pylori. Graças à sua atividade antimicrobiana, pode ser utilizada no combate a estirpes patogénicas resistentes a antibióticos (Ahmad et al., 2013; Gholamnezhad et al., 2016; Ijaz et al., 2017).
  • A Nigella sativa pode ser utilizada no tratamento de dermatofitoses e candidíase vaginal devido à sua capacidade antifúngica contra as espécies Trichophyton interdigitale, Trichophyton mentagrophytes, Epidermophytone floccosum, Microsporum canis e Candida albicans (Ahmad et al., 2013; Ijaz et al., 2017).
  • A Nigella sativa poderá ser tida em consideração como um adjuvante no tratamento de doenças inflamatórias, uma vez que está associada à redução do stress oxidativo e à inibição de mediadores anti-inflamatórios. Permite a redução de sintomas em pacientes com artrite reumatóide, incluindo diminuição do inchaço das articulações e menos rigidez (Gholamnezhad et al., 2016; Ijaz et al., 2017).

    Sementes de cominho negro (nigella sativa)

  • Pelo mesmo efeito anti-inflamatório, a Nigella Sativa é eficaz no tratamento de alterações  dermatológicas, nomeadamente queimaduras, feridas, eczema, psoríase e vitiligo ( Eida et al;2017; Aljebre et al;2015 ).
  • A Nigella sativa apresenta efeitos positivos no metabolismo dos hidratos de carbono e dos lípidos. É sugerido que a capacidade antioxidante da planta contribua para a redução da resistência à insulina e aumento da sensibilidade dos recetores de insulina.O aumento da atividade das células β e a redução dos níveis de glicose no sangue tornam aNigella sativa um potencial antidiabético em Diabetes tipo II (Ahmad et al., 2013; Gholamnezhad et al., 2016; Ijaz et al., 2017).
  • Uma suplementação com sementes ou óleo de cominho negro pode ser utilizada para melhorar situações de hiperlipidemias, uma vez que foram observadas reduções significativas dos níveis de colesterol total, colesterol LDL e triglicéridos. A ação sinergética de vários constituintes de Nigella sativa, incluindo timoquinona, fibras solúveis, esteróis, flavenóides e o elevado conteúdo em ácidos gordos polinsaturados, poderão contribuir para este efeito hipolipidémico (Gholamnezhad et al., 2016).
  • A redução dos valores da pressão diastólica e sistólica após tratamento com extrato da planta, verificada em vários estudos, tornam a Nigella sativa uma opção terapêutica em doentes hipertensos (Gholamnezhad et al., 2016).

    Óleo essencial de cominho negro (nigella sativa)

  • A Nigella sativa apresenta propriedades gastroprotetoras, uma vez que melhora a mucosa gástrica, diminui a secreção gástrica e a severidade de úlceras (Ahmad et al., 2013; Ijaz et al., 2017).
  • Alguns estudos revelam efeitos hepatoprotetores de Nigella sativa contra lesões e toxicidade do fígado, devido ao aumento de enzimas antioxidantes (Ahmad et al., 2013; Ijaz et al., 2017).
  • A Nigella sativa poderá ser utilizada na proteção dos rins. Devido à sua ação contra radicais livres, previne disfunções renais e melhora os parâmetros histológicos e bioquímicos, nomeadamente, a diminuição de creatinina, ureia e de nitrogénio ureico (Ahmad et al., 2013; Ijaz et al., 2017).
  • O efeito profilático de Nigella sativa em doentes asmáticos foi observado em vários estudos científicos. Os autores sugerem que a redução dos efeitos asmáticos são atribuídos às propriedades broncodilatadoras e anti-inflamatórias da planta (Ahmad et al., 2013; Gholamnezhad et al., 2016; Ijaz et al., 2017).
  • Ao nível do sistema nervoso central, foram observados efeitos neuroprotetores devido à sua capacidade de inibir a formação de espécies reativas de oxigénio e capacidade anti-inflamatória, ao aumento dos níveis de 5HTP e de triptofano e consequente diminuição dos níveis de ansiedade. 

    A Nigella sativa tem imensas aplicações estudadas pelos investigadores (foto facebook)

  • A Nigella sativa apresenta também propriedades anti convulsionantes, podendo ser utilizada como adjuvante no tratamento de doentes com epilepsia (Ahmad et al., 2013; Ijaz et al., 2017).

Apesar das propriedades anticancerígenas de Nigella sativa serem reconhecidas há milhares de anos nas medicinas ancestrais, os estudos científicos são relativamente recentes. Estes estudos revelam que o óleo, o extrato de timoquinona e extrato de α-hederina do cominho negro têm um potencial terapêutico efetivo contra o cancro dos pulmões, rins, fígado, próstata, mama, cólon do útero, cancro de pele e leucemia (Khan et al., 2011; Randhawa e Alghamdi, 2011).

Embora não estejam completamente compreendidos os mecanismos moleculares responsáveis pelo seu potencial anticancerígeno, as pesquisas mostram a inibição da angiogénese e crescimento de tumores, a indução de apoptose em tecidos tumorais, redução de metástases, aumento da atividade de enzimas antioxidantes e de células imunitárias  (Khan et al., 2011; Randhawa e Alghamdi, 2011).

Fotos: Gokalp Iscan; U. Leone; marcas; Facebook
BIBLIOGRAFIA
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