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Sal de Epsom: o que dizem vs benefícios verificados

O Sal de Epsom não é verdadeiramente um sal, mas sim um complexo mineral natural que decorre da junção do magnésio e do sulfato. O Sal de Epsom é um produto natural que tem por composição o sulfato de magnésio. Os sais de magnésio, por terem uma boa capacidade de dissolução em água, têm um potencial de absorção muito interessante e que devemos considerar quando falamos de saúde do organismo. (1)

Vantagens do Magnésio no formato Sulfato

Existem no mercado vários formatos de magnésio. O Sulfato de magnésio apresenta uma boa biodisponibilidade e capacidade de aumentar os níveis de magnésio no organismo. Para além disso, fornece um elemento que não existe em outros formatos de magnésio: o próprio sulfato. Os sulfatos são difíceis de obter por intermédio da alimentação mas têm a vantagem de serem bem absorvidos pela pele. A sulfatação é muito importante em várias reações que ocorrem no nosso organismo. Falhas a este nível podem conduzir a:

  • Desequilíbrio na libertação de neurotransmissores, afetando o humor, sistema nervoso, sono, etc.
  • Disfunções a nível do trato gastrointestinal, nomeadamente no aumento da permeabilidade intestinal, síndrome do colon irritável, alterações na flora intestinal. A sulfatação das proteínas mucinas do intestino é importante para controlar a adesão/lubrificação, o que influencia o processo de absorção de nutrientes.
  • Alterações no processo digestivo por falhas na libertação de enzimas digestivas.
  • Alterações nos processos de desintoxicação. (2)

Absorção cutânea do Magnésio: mito ou realidade?

O magnésio é comumente usado em formato de suplemento alimentar de toma oral. Como existem vários fatores que podem reduzir/inibir a absorção deste mineral - nomeadamente acidez gástrica, inibição por alimentos ou fármacos, estados de saúde -, os formatos de magnésio de absorção cutânea podem ser uma mais-valia (caso tenha dúvidas acerca do melhor formato para a sua situação, contacte-nos).

Uma das aplicações possíveis do Sal de Epsom são banhos de imersão. A informação científica que existe até ao momento indica que pode haver alguma absorção, por processos de difusão, via sistema linfático e pelos folículos capilares (pequenas áreas de absorção no que é o total da superfície cutânea). Esta absorção e seus resultados estará dependente do tempo de imersão, sendo visível alguma absorção a partir dos 60 minutos de contato com o sal. A informação disponibilizada (de fontes não científicas) alega que ocorre uma absorção de iões de Magnésio por osmose através da pele. No entanto, aqui gera-se um ponto de incongruência: a osmose implica a passagem de água (e não de outros elementos) de locais de maior para menor concentração. Para além disso, a pele forma uma barreira de proteção natural, tendo uma permeabilidade seletiva, e apenas moléculas com dimensão inferior a 500KDaltons conseguem atravessar esta barreira. As moléculas de magnésios, apesar de terem uma dimensão de 18KDaltons, parecem aumentar o seu tamanho 400 vezes, o que dificulta bastante a sua absorção pela pele.

Assim, para garantir uma absorção aceitável de magnésio, os banhos de imersão, dadas as aparentes limitações, não serão a primeira linha de abordagem, ainda que possam ser usados como tratamento complementar. (3)

O Magnésio no organismo humano

O Magnésio é um dos elementos mais abundantes no nosso organismo e participa em cerca de 300 reações enzimáticas e na produção de energia (ATP). Está também envolvido no metabolismo da glucose, melhorando os níveis de glicemia e a sensibilidade à insulina (4). O magnésio também influencia a componente cardiovascular: regula os batimentos cardíacos, previne o endurecimento das artérias, reduz a formação de coágulos e a pressão arterial (5).

O alívio de dores musculares e cãibras são outras mais-valias atribuídas ao magnésio, ajudando, desta forma, a potenciar a performance no treino físico e melhorar a recuperação muscular (6). O magnésio está ainda relacionado com a manutenção dos níveis de cálcio e prevenção da osteoporose (7).
 
A fundamentação científica, além de atribuir ao sulfato de magnésio (Sal de Epsom) estes efeitos, destaca igualmente vantagens no tratamento da obstipação por terem ação laxativa. No lúmen intestinal, os iões de magnésio e sulfato são fracamente absorvidos, mas vão exercer um efeito osmótico, levando à retenção da água no intestino. Este fenómeno leva a uma hidratação do conteúdo fecal, estimulando a sua eliminação. Apesar da ação dos Sais de Epsom ser local, teoriza-se também a possibilidade da estimulação de libertação de hormonas - como a colecistoquinina - que também potenciam a ação laxante (8).

O sulfato de magnésio apresenta outras vantagens. Recentemente, a ciência descobriu uma associação positiva entre a toma de sulfato de magnésio em mulheres grávidas e a redução do risco de paralisia cerebral em bebés que nascem pré-termo, assim como na redução da mortalidade fetal (9).

Outros possíveis efeitos:

A literatura não científica atribui um conjunto de efeitos do Sal de Epsom que carecem ser estudados e documentados:


Stress / Sistema Nervoso: Apesar de o magnésio (de toma oral ou injetável) apresentar benefícios no que respeita ao sistema nervoso, os resultados dessa mesma ação advindos de banhos de sal de Epsom serão difíceis de alcançar. Tal como dito anteriormente, mesmo que se gere alguma absorção de magnésio em alguns pontos da superfície cutânea, estas são áreas pequenas e restritas (como, por exemplo, a zona dos folículos capilares), necessitando ainda de um elevado tempo de contato de, pelo menos, uma hora. Possivelmente, os benefícios descritos nos banhos de sal Epsom para o sistema nervoso estão mais relacionados com o efeito calmante e relaxante de um banho de imersão quente do que com os níveis de magnésio absorvidos (10).

Eliminação de Toxinas: “Em banhos de imersão, o Sal de Epsom vai estimular a eliminação de toxinas e metais pesados através da pele” – esta é uma das alegações que mais está associada aos Sais de Epsom, não havendo, no entanto, estudos ou dados suficientes que expliquem este fenómeno. A pele é um órgão membranoso e tem uma permeabilidade seletiva à passagem de certas substâncias para o corpo por difusão. Talvez possa ser o mecanismo implicado que carece mais investigação. (11)

Outros campos de ação:
A aplicação do Sal de Epsom tem sido estudada em diversas áreas para além da sáude humana, entre as quais, jardinagem. Testado pela Associação Nacional de Jardinagem dos Estados Unidos, ao aplicar este produto em plantas, estas apresentaram melhor crescimento e florescimento. O magnésio ajudou a criar um ambiente que favorece a germinação.

Potencial de absorção

A maioria da literatura existente baseia-se em leituras de magnésio excretado via urinária e pelas fezes (o que dá uma informação muito indireta acerca do potencial de absorção). No entanto, encontrámos um estudo que usou uma técnica inovadora de medição de absorção intestinal. Dos dez formatos de sais de magnésio utilizados (óxido, cloreto, carbonato, enxofre, acetato, pidolato, citrato, gluconato, aspartato e lactato), destacaram-se o gluconato e o cloreto como os formatos que apresentaram os melhores resultados na absorção intestinal, enquanto o sulfato de magnésio apresentou os piores resultados (12).

É importante salientar que estudos comparativos com vários formatos de magnésio indicam que, em termos de absorção intestinal, os sais de magnésio apresentam um bom potencial de absorção, no geral. No entanto, em processos cujos objetivos sejam a compensação de carências de magnésio, o Sal de Epsom poderá não ser considerado uma escolha prioritária, apresentando-se como opção mais relevante e eficaz em abordagens que visem a desintoxicação intestinal e o combate à obstipação.

Dra. Lydia Freire
Nutricionista
Consultora Macrobiótica


Bibliografia
(1) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4621670/
(2) http://www.epsomsaltcouncil.org/wp-content/uploads/2015/10/sulfation_benefits.pdf
(3) Magnes Res. 2016 Jun 1;29(2):35-42
https://www.painscience.com/articles/epsom-salts.php
Clin Kidney J. 2012 Feb;5(Suppl 1):i3-i14.
http://www.epsomsaltcouncil.org/wp-content/uploads/2015/10/report_on_absorption_of_magnesium_sulfate.pdf
(4) Pak J Pharm Sci. 2008 Jul;21(3):237-40. World J. Diabetes. 2015;6:1152–1157. 
(5) World J. Diabetes. 2015;6:1152–1157
(6) Nutrients. 2017 Sep; 9(9): 946.
(7) Nutrients. 2017 Oct 30;9(11)
(8) Magnes Res. 1996 Jun;9(2):133-8
(9) (PLoS Med. 2017 Oct 4;14(10)).
(10) www.seasalt.com/epsom-salt-uses-and-benefits
(11) https://www.seasalt.com/epsom-salt-uses-and-benefits
(12) Magnesium Research 2005; 18 (4): 215-23

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