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Frankincense em problemas graves: incenso que vale ouro

Frankincense é uma palavra francesa que significa “puro incenso”. O Frankincense tem associada uma forte componente histórica e religiosa, pois foi uma das três oferendas que os Reis Magos, vindos do Oriente, levaram a Jesus. Na India, é popularmente conhecido como olíbano, salai guggal, loban ou kudur e é usado em rituais de cariz religioso e cultural, para além de ser utilizado como remédio tradicional para tratamento de inúmeras patologias. A resina que origina o óleo essencial é extraída da espécie Boswellia, nomeadamente B.serrata, B.carterii, B.frereana e B.sacra. O óleo essencial de incenso é obtido através da destilação a vapor da resina aromática de goma das árvores.

Composição

Os principais componentes do óleo essencial de frankincense é o olibanol, a matéria resinosa (60-85%) que contém uma mistura de terpenos, 6-30% de goma (mistura de polissacáridos) e 5-9% de óleo essência. Dos terpenos presentes na resina destacamos os triterpenos pentacíclicos, onde os ácidos boswelicos se apresentam como os mais relevantes. Na goma, encontramos pentoses e hexoses e algumas enzimas digestivas, enquanto no óleo essencial se encontra uma mistura de monoterpenos, diterpenos e sesquiterpenos.

Os ácidos boswelicos são os princípios ativos principais do Frankincense, entre os quais se destacam quatro tipos: Beta-acido-boswelico (BA), ácido acetil beta boswelico (ABA), ácido 11-ceto-beta-boswelico (KBA) e ácido 3-O-acetil-beta-boswelico (AKBA). Estes quatro compostos sobressaem como principais inibidores da inflamação, tendo particular interesse em doenças como asma, colite ulcerosa, cancro, artrite reumatóide e colite, bem como sobre o sistema imunitário e na algesia. (1)

Frankincense na Inflamação e no Stress Oxidativo

Patologias que tenham associadas processos inflamatórios, costumam estar acompanhadas com níveis elevados de stress oxidativo. Em conjunto, estes dois fatores exercem uma ação patológica importante. 

No controlo do stress oxidativo, o AKBA parece ser o componente do Frankincense a ser destacado pela sua poderosa ação antioxidante. Os estudos demonstram uma ação muito interessante dos ácidos boswelicos presentes no Frankincense no respeitante à inibição de mPES-1, a enzima que está na base da biossíntese de Prostaglandina 2 a partir das ciclooxigenases (COX 1 e 2). Num artigo de revisão de Verhoff et al, há fortes evidências que os ácidos boswellicos, nomeadamente os ácidos tirucalico, roburico e lupeolico, têm um forte potencial no combate da inflamação por inibirem a ação da mPES-1 e dos seus co-substratos. (2)

Um estudo in vivo sobre a Artrite Reumática e a inibição da inflamação demonstrou uma ação importante do incenso e da mirra. Apesar do mecanismo de ação não estar esclarecido, observou-se uma redução no edema local e uma redução nos níveis plasmáticos de marcadores inflamatórios. O ácido boswellico parece também inibir a biossíntese da 5-lipoxigenase e dos leucotrienos pelos granulócitos, que em consequência, leva a uma redução na produção de citoquinas pro-inflamatórias. A ação sobre os leucotrienos é de destacar no Frankincense, pois inúmeras doenças crónicas inflamatórias têm como característica associada uma atividade aumentada daqueles leucotrienos. (3)

Cuaz-Perolin et al. observou no seu estudo que o AKBA (3-acetyl-11-acido-keto-beta-boswellico) é um inibidor natural do fator de transcripção NFkB, cuja presença é um pré-requisito na formação/ação das citoquinas envolvidas nas reações inflamatórias e que, por esse motivo, a resina da espécie Boswellia poderá ser uma alternativa promissora nas patologias com inflamação crónica, como é o caso da aterosclerose. (4) 

Frankincense nas Doenças Autoimunes

A resposta imunitária deveria ser controlada e autolimitada por mecanismos próprios do organismo. No entanto, a presença contínua de determinados estímulos em indivíduos com uma predisposição de base, pode levar a um descontrolo na resposta imunitária que levam a danos irreversíveis no organismo. A presença de inflamação crónica e um aumento de produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) -  que levam a um aumento do stress oxidativo -, são fatores que se verificam neste tipo de patologias crónicas e que, por si só, não ajudam na melhoria no quadro clinico, que costuma ser bastante complexo neste tipo de doenças. (5) 
O AKBA presente no Frankincense, ou olíbano, parece atuar sobre Células T específicas fundamentais para manter a homeostase imunitária. (6) 

Num estudo feito com doentes com artrite reumatoide, observou-se uma ação benéfica do Frankincense. Nesta patologia autoimune há uma expressão elevada de citoquinas pró-inflamatórias como o TNF-alfa, IL-1beta, IFN-alfa e IL-6. Doses de 200mg/kg de ácido boswellico ajudam a ativar as citoquinas protetoras do osso, reduzindo os compostos pro-inflamatórios referidos. Foi ainda identificada ação antioxidante, protegendo as células contra a ação dos radicais livres. (7)

Frankincense e a actividade anti-microbiana

O incenso puro parece ter uma elevada ação antimicrobiana em bactérias Gram positivas e Gram negativas (Pseudomanoas vulgaris, aeruginosa e E.coli, Staphylococcus aureus, Proteus mirabilis) e em fungos. A atividade antibacteriana desta está ligada à presença do ácido fenólico existente no ácido bowsvellico. Estes compostos fenólicos estão associados a uma redução da competição pelos nutrientes por parte das bactérias patogénicas. A atividade anti-fúngica deve-se à presença de limoneno, que é eficaz sobre a Candida albicans e Candida tropicallis. (7)

Frankincense no Aparelho Digestivo

O Frankincense tem uma ação benéfica sobre patologias inflamatórias do aparelho digestivo, como a colite ulcerosa. A colite ulcerosa é uma doença inflamatória crónica. Os leucotrienos parecem ser os compostos responsáveis por manter o processo inflamatório constante. Os ácidos boswellicos parecem ter ação sobre a principal enzima responsável pela biossíntese dos leucotrienos.
Na Medicina Tradicional Iraniana, o Frankincense é regularmente usado para tratamentos de inflamações intestinais e em diarreias pela sua ação antidiarreica. (8)

Frankincense no Cancro

Vários autores identificaram diversos terpenoides isolados das espécies B.serrata e B.carterii com efeitos anti proliferativos e citotóxicos sobre as células cancerígenas. O efeito citotóxico foi verificado sobre células em meningiomas. (7)

Os triterpernoide (BA, ABA, KBA e AKBA) inibem a síntese de DNA e RNA em células cancerosas na leucemia, onde o AKBA manifestou a ação mais pronunciada. A ação gerada sobre o DNA destas células é irreversível, não afetando as células saudáveis. (8)

No cancro da próstata, os triterpenoide da B.serrata manifestaram uma forte ação inibidora sobre células anómalas. O AKBA inibiu os fatores de crescimento endoteliais enquanto que o ácido tirucalico apresentou uma ação inibidora sobre a AKT. Esta é uma proteína quinase que participa em vários processos de proliferação celular, migração celular e apoptose, e que tem sido associada como fator importante em vários tipos de cancro por inibir os processos de apoptose e, desta forma, prolongar o tempo de vida celular. (9)

Num estudo em que se usaram diversos tipos de culturas de células do cancro da mama, verificou-se que o óleo essencial do Frankincense apresenta uma ação citotóxica específica sobre as células tumorais, nomeadamente, uma ação anti proliferativa, pro-apoptótica e anti invasiva. (10) 

Em células do cancro da bexiga, o olíbano ou incenso demonstrou eficácia na indução da morte celular através da via NRF-2, por ação pró-apoptótica e anti-proliferativa. (11)

Dra. Lydia Freire
Nutricionista
Consultora Macrobiótica

 

Bibliografia

1 - (Ridha Mustafa Al-Yasiry A., Kiczorowska B. – Frankincense – therapeutic properties)
(Asian Pac J Cancer Prev, 16 (16), 7179-7188). 
J Tradit Complement Med. 2013 Oct-Dec; 3(4): 221–226.
2 - J. Nat. Prod. 2014, 77, 1445−1451.
3 - Scientific Reports, 5:13668. DOI: 10.1038/srep13668. // Muscles Ligaments Tendons J. 2016 Jan-Mar; 6(1): 48–57.
4 - Thrombosis, and Vascular Biology, vol. 28, no. 2, pp. 272–277, 2008.
5 -Digestive Diseases and Sciences, vol. 57, no. 8, pp. 2038–2044, 2012.
6 - Oxidative Medicine and Cellular Longevity Volume 2017, Article ID 7468064.
7 - Ridha Mustafa Al-Yasiry A., Kiczorowska B. – Frankincense – therapeutic properties. Hig Med Dosw (online), 2016; 70.
8 - J Appl Pharm Sci. 2012;2:148–56. // J Tradit Complement Med. 2013 Oct-Dec; 3(4): 221–226
8 - J Tradit Complement Med. 2013 Oct-Dec; 3(4): 221–226.
9 - Phytomedicine. 2011;18:1037–44.
10 - Suhail et al. BMC Complementary and Alternative Medicine 2011, 11:129. // Dozmorov et al. Chinese Medicine 2014, 9:18.
11 - BMC Complementary and Alternative Medicine 2009, 9:6.


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